Reportagem do Jornal Nacional revelou que quase mil pessoas morreram, apenas este ano, enquanto aguardavam vagas nas UTIs públicas do Estado. Um dia depois do Jornal Nacional mostrar a falta de leitos de UTI em Pernambuco, mais 13 pacientes morreram na madrugada de terça-feira para esta quarta-feira à espera de uma vaga.
Um desses pacientes foi mostrado na reportagem, na própria terça.
Foram dez dias de sofrimento e angústia para a família do agricultor Marcos Melo, de 18 anos – vítima de um acidente de moto. Tempo demais para quem precisava de vaga em uma UTI, mas recebia tratamento na Unidade de Trauma do Hospital da Restauração – como o Jornal Nacional revelou. “O quadro dele é muito grave. É politraumatizado: crânio, coluna, tórax, o abdômen”, disse um médico, ainda na reportagem da terça-feira
Apesar de tudo, o pai de Marcos, Antônio Marcos Melo , tinha esperança na recuperação do filho. “Eu choro junto com ele. Eu chego a falar no ouvido dele. Tenho certeza que ele me ouve. Eu digo para ele lutar”, explicou antes de receber a notícia da morte.
O diretor-geral do Hospital da Restauração, Miguel Arcanjo, afirma que mesmo se Marcos tivesse sido transferido para a UTI dificilmente ele teria chance de sobreviver. “Infelizmente não. Pelo tipo de lesão que ele tinha, provavelmente se ele tivesse ido pra UTI ele teria tido o mesmo desfecho.”
Por determinação da Justiça, diariamente a Secretaria de Saúde de Pernambuco divulga a lista oficial com os nomes dos pacientes que precisam ser transferidos para a UTI. Na lista de espera desta quarta-feira estão 59 pessoas em estado grave: 50 adultos e 12 crianças.
A Secretaria de Saúde garante que até o final deste Governo serão criadas 96 vagas em leitos de UTI, mas Miguel Arcanjo acredita que apenas isso não irá resolve o problema. “Provavelmente não porque a nossa população está ficando idosa, com patologias mais associadas e cada vez mais pacientes terão indicação de UTI. É preciso a sociedade discutir o assunto”, destacou.
A reportagem do Jornal Nacional revelou que 968 pacientes morreram, este ano, à espera de vaga em unidades de terapia intensiva em Pernambuco. E que nos hospitais, o tratamento de casos graves é realizado de maneira improvisada em enfermarias e emergências.