OMS afirma que E.coli pode ser transmitida de uma pessoa para outra

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira que a variante da bactéria Escherichia coli pode ser transmitida de uma pessoa para outra, por meio dos sedimentos ou por via oral. O surto já matou 18 pessoas no mundo todo.

A agência pediu que as pessoas que estiverem na Europa, principalmente no norte da Alemanha, onde acredita-se que a exposição à cepa esteja limitada, reforcem os hábitos de higiene pessoal, lavando bem as mãos após ir ao banheiro e antes de tocar nos alimentos.

“Este tipo de transmissão nos preocupa e, por esta razão, queremos que se reforcem as mensagens relativas à higiene pessoal”, disse a epidemiologista da OMS Andrea Ellis.

Em seu site, a organização afirma que todos os casos de infecção foram registrados em pessoas que estiveram no norte da Alemanha, com exceção de uma, que ficou doente depois que teve contato com um paciente que adquiriu a bactéria na região.

A OMS também informou que a variante da bactéria já foi detectada em humanos anteriormente, apesar de alguns pesquisadores afirmarem o contrário.

“A cepa que foi detectada na Alemanha é muito rara, já é conhecida entre humanos, mas é a primeira vez que foi identificada em um surto”, disse Fadela Chaib, porta-voz da OMS.

Sobre a transmissão, a representante da agência disse que o contágio “pode ocorrer sem uma higiene adequada”. A organização também afirmou que subiu para 12 o número de países que registraram casos de infecção pela cepa e da síndrome hemolítico-urêmica (HUS), que já mataram 18 pessoas no mundo todo. A Noruega foi o último país a confirmar oficialmente a ocorrência da doença.

Ao todo, pacientes adoeceram por contaminação de E.coli em Alemanha, Áustria, República Tcheca, Dinamarca, França, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia Suíça, Reino Unido e os Estados Unidos. As autoridades de saúde ainda não identificaram a fonte da bactéria e continuam recomendando que seus cidadãos não comam vegetais crus.

O centro de controle de doenças da Alemanha atualizou o número de casos, que subiu para 199 novos casos nos últimos dois dias. Já são 17 mortes no país. O Instituto Robert Koch disse em comunicado que foram registrados 149 casos de infecção por E.coli e 50 da síndrome hemolítico-urêmica. Os novos dados elevam o total de casos na Alemanha desde 1º de maio para 1.733.

No mundo todo, 552 casos de HUS (12 fatais) e 1.271 casos de E.coli sem HUS (seis fatais) foram notificados oficialmente, levando o número total de casos a 1823.

A Escherichia coli pode causar diarreia sanguinolenta e pode levar o paciente a desenvolver a síndrome hemolítica urêmica. A SHU é uma complicação grave da infecção E.coli, que pode gerar danos aos rins e matar.

O tipo de bactéria que está causando o surto foi identificado por cientistas na última quinta-feira. Ele descobriram que se trata da cepa O104, que já foi registrada em humanos, mas nunca numa situação de surto.

O governo alemão criou uma força-tarefa para cuidar do surto e a chanceler Angela Merkel conversou com o primeiro-ministro espanhol Jose Luis Rodriguez-Zapatero sobre o impacto do problema sobre os fazendeiros espanhóis, inicialmente responsabilizados pelo surto, informou um porta-voz.

Na última quinta-feira, a Espanha disse que pediria um ressarcimento dos danos causados pelo “erro clamoroso” alemão por associar o surto de E.coli a produtores espanhóis.

“Ficou claro com as análises da Agência Espanhola de Segurança Alimentar que não há a mínima suspeita de que a origem desta infecção tão grave venha de um produto espanhol”, disse Zapatero em entrevista à rádio e TV públicas espanhola.

Na quinta-feira, a Rússia anunciou que suspenderia a importação de vegetais da União Europeia, por medo da variante da E.coli. A decisão iniciou uma disputa entre o bloco e o primeiro-ministro Vladimir Putin, que disse nesta sexta-feira que não poria fim ao embargo até as autoridades europeias identificarem a origem da bactéria.

A UE pediu a Moscou que desistisse da medida, argumentando que não há comprovação técnica que sustente a decisão, que contraria as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). A Rússia ainda não é membro da OMC, mas tem claras pretensões.

Em sua primeira declaração sobre o caso, Putin tentou explicar a posição russa:

“Estamos esperando nossos parceiros identificarem pelo menos a origem dessa infecção. Eles mesmos não são capazes de entender o que está acontecendo. Não podemos envenenar nosso povo em nome de um espírito”, disse, referindo-se às normas da OMC que defendem igualdade das relações comerciais entre os países, sem imposições unilaterais que prejudiquem o comércio.

A agência russa de proteção ao consumidor afirmou em um comunicado que poderia relaxar a proibição se a Alemanha ou a UE fornecessem detalhes sobre as fontes da bactéria, como ela é transmitida e quais atitudes são necessárias para conter o surto.

Da Agência O Globo

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