Era uma noite escolhida para ser dele, desde o princípio. Na “fábrica e moicanos” montada pelo seu patrocinador, nas bandeiras dos torcedores, nas máscaras, nos pedidos por gol. Neymar, que tanto irritou os defensores do Peñarol desde a primeira partida, seja com sorrisos classificados pelos carboneros como irônicos, seja nos dribles. Na final da Taça Libertadores ele demorou para engatar um bom drible, é fato. Mas quando engatou…
Foi no segundo tempo, logo aos dois minutos de jogo, que ele entrou definitivamente para a história do Santos. Depois de uma bela arrancada de Arouca, que contou com um toque de classe de calcanhar de Paulo Henrique Ganso, Neymar foi letal. Matou a bola e mandou mansa, no cantinho entre Sosa e a trave. Para explodir o Pacaembu que se pintou de branco em alegria.
E a principal polêmica do atacante no último mês não foi esquecida. Prestes a se tornar papai, o jovem de 19 anos levou o dedão da mão direita a boca, como fazem as crianças. Homenagem ao menino que vai nascer em novembro e que deve se chamar Matheus, se a mãe atender ao seu desejo.
– Sou campeão da América pela segunda vez este ano (ele levantou a taça do sul-americano sub-20 com a Seleção). A festa é nossa. É o dia mais feliz, eu fiz história! – desabafou o jovem campeão.
Com o sexto gol marcado nesta edição da Libertadores, o camisa 11 santista fecha o torneio como o artilheiro santista. E mantém a escrita de ser decisivo nos momentos cruciais. Marcou na final do Paulista de 2010, contra o Santo André, repetiu na final da Copa do Brasil, contra o Vitória, e se mostrou decisivo novamente no estadual deste ano, contra o Corinthians. Neymar, apesar de ainda franzino e cara de menino, não foge das responsabilidades. É Neymacho.
E quando ainda aparenta alguma ansiedade, como quando retomou a bola de um adversário depois de cobrança de escanteio, tem sabedoria – ou respeito – e obedece o capitão Edu Dracena, que pedia para o jogo ser cadenciado. Mas quando está cara a cara com um zagueiro… aí não adianta pedir “arrego”. Ele vai para o rabisco, como se diz na gíria. Que o diga Matias Corujo, sua sombra depois da saída de Alejandro González.
Neymar parece gostar muito de festa. E de comemorações. No 2 a 0 para o Santos, correu para abraçar Danilo. E regeu a torcida santista, que o venera. No desconto dos uruguaios, no gol contra de Durval, viu de longe a comemoração dos carboneros encurralados em um ponto da arquibancada do Pacaembu. Mas durou pouco o abatimento. Logo ele correu pelo lado esquerdo e cruzou para Ganso. Desengonçado, o camisa 10 acabou deixando para Zé Eduardo, que perdeu debaixo das traves de Sosa. Melhor colocar mesmo a camisa no rosto e evitar olhar o “parça”.
Ao fim da partida, os jogadores do Peñarol mostraram total falta de espírito esportivo e partiram para cima dos santistas, com muita violência. Neymar escapou da confusão e foi comemorar sozinho, girando a camisa, para depois ganhar a companhia dos outros campeões.
– Deixa eles para lá, hoje é dia de festa, não de briga – resumiu o atacante.
Cobiçado pelo futebol europeu, ele enche de orgulho o agora Neymar avô, que solta apenas um “é especial” quando questionado sobre o gol do filho. Se o encontro com o Barcelona de Messi vai realmente acontecer no final do ano é difícil de cravar. Apesar do bom salário que tem no Santos, o atacante pode ser seduzido pelas cifras e glamour do futebol europeu. Mas não custa o torcedor sonhar com o moicano desfilando pelo Japão.
Por G1